3a – 11 de março
Vinham vestidos de pombas
os corvos da reacção
mas deixaram cair bombas
ramos de oliveira não
Ou talvez de uma oliveira
cujas raízes malinas
envenenavam a jeira
subiam pelas esquinas
Estrangulavam o povo
nas aldeias na cidade
e agora querem de novo
roubar-nos a liberdade
Mas nem rajadas nem votos
nada nos pode travar
nem os medos mais remotos
nem estes corvos no ar.
p´ra resistir dia a dia
Veio Abril não se fechou
a porta da tua casa
a leveza de uma asa
e a memória dolorida
Estão a postos na vida
que de mês a mês marcamos
Foi contigo camarada
que na cidade ocupada
em Abril nos levantámos.
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