luis cilia

 

1a Portugal resiste

      excerto da canção: 

 

 

 

     (Esta canção foi gravada posteriormente no LP

     "La poesie portugaise de nos jours et de toujours nº3"

     O som que pode aqui ouvir é o desta edição)

     

 

 

 

   Tiraste-me o direito à vida , mas eu vivo
   Mandaste-me prender, mas eu sou livre
   Que não pode morrer, não pode ser cativo
   Quem pela Pátria morre, e só por ela vive.

   Vi os campos florir mas não ouvi
   Raparigas cantando em nossas eiras
   Nossos frutos eu vi levar e vi
   Na minha Pátria as garras estrangeiras

   Vi os velhos e os meninos assentados
   nos degraus da tristeza vi meu povo cismando
   vi os campos desertos, vi partir soldados
   sobre o meu povo negros corvos vi pairando

   E tu que do pais fizeste a triste cela
   Tu que te fechas em teu próprio cativeiro
   Tu saberás que a Pátria não se vende
   E em cada peito em cada olhar se acende
   Este fogo este vento de lutar por Ela.

   Tu saberás que o vento não se prende.

   E não terás nas tuas mãos de carcereiro
   O sol que mora nas canções que nós cantamos
   Nem estas uvas penduradas nas palavras
   Tu que servis as pretendeste ou escravas

   Em silêncios de morte e de convento
   Tu ouvirás na língua que traíste
   Palavras como o fogo como o vento
   Estas palavras com que Portugal resiste

 

 

 

  
 

 

 

 

Poesia de

Manuel Alegre

Canções neste disco:

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Aqui poderá ouvir a versão desta canção inserta no LP "La poesie portugaise de nos jours et de toujours nº3", 1971

 

 

 

 

 

 

 

 

"Portugal resiste"