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3b – Sou barco
(nota sobre este poema inserta na capa do disco em francês:
António Borges Coelho a été incarcéré pendant six ans à Peniche,
forteresse-prison au bord de la mer. C´est là quíl écrit ce poème.)
Aqui poderá ouvir a versão desta canção inserta no LP "Meu País", 1970
E aqui (clique na imagem) poderá ver no youtube uma gravação na TV francesa do Luis Cília a cantar esta canção (1966)
ou poderá ver, também no youtube, uma das suas últimas apresentações ao vivo, no Palau de Sant Jordi, Barcelona em Abril de 1993, num espectáculo de homenagem a Raimon
Sou barco abandonado
Na praia ao pé do mar
E os pensamentos são
Meninos a brincar.
Ei-lo que salta bravo
E a onda verde-escura
Desfaz-se em trigo
De raiva e amargura.
Ouço o fragor da vaga
Sempre a bater no fundo,
Escrevo, leio, penso,
Passeio neste mundo
De seis passos
E o mar a bater ao fundo.
Agora é todo azul,
Com barras de cinzento,
E logo é verde, verde,
Seu brando chamamento.
Ó mar, venha a onde forte
Por cima do areal
E os barcos abandonados
Voltarão a Portugal.

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