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Caixa de texto: luis cilia

Caixa de texto: Ficha Técnica:
 
Bernard Pierrot
- viola 
- alaúde
Henri Agnel
- viola
- percussão
- cestro
- bandurra
Jean Claude Veilhan
- flautas de bisel
- cromornes
- oboé de Poitou
- flauta pastoril
J. Louis Charbonnier
- Viola de Colo
John McLean
- flautas de bisel
- cromornes
Marcelo Ardizzone
- Viola de Colo
 
Bernard Pierrot
- arranjos
Georges Queyras
- Engenheiro de som
 
Capa: Maria Judith Cilia
 
Produtor delegado: José Niza
Estúdios Sofreson (Paris)

Caixa de texto: A música da faixa “O guerrilheiro” foi adoptada como a música do hino da central sindical portuguesa “CGTP-IN Intersindical Nacional”

 
 
 

Caixa de texto:  50 anos de música

 

Caixa de texto: “O Guerrilheiro”
(LP –Orfeu STAT 024 -1974 - Portugal)
Este disco foi posteriormente regravado e editado com o título “Cancioneiro” em 1982.
Em baixo a capa da primeira edição. No fundo da página o disco na sua segunda edição.

O adeus d’ um proscrito

5.30

Anónimo – poema de J.P.Rebelo de Carvalho

O Conde Niño

2.45

Anónimo

Flor da Murta

0.55

Anónimo

A guerra de Mirandum

2.30

Anónimo

O Conde de Alemanha

7.10

Anónimo

D. João da Armada

3.40

Anónimo

Canção do figueiral

4.10

Anónimo

D. Sancho

1.35

Anónimo

O guerrilheiro

9.25

Anónimo

Sobre este disco pode-se ler no Blog "A nossa Rádio", Dezembro 2007, o seguinte:

 

"Fruto de aturadas pesquisas efectuadas pelo cantor na Biblioteca Gulbenkian de Paris, durante os anos de 1973 e 1974, "O Guerrilheiro"/"Cancioneiro" constitui um dos trabalhos mais notáveis e raros de recuperação do romanceiro tradicional e de canções de antanho (do séc. XIII ao séc. XIX).
Sobre a génese deste disco, é oportuno citar Luís Maio: «Luís Cília, cantor de intervenção durante uma década exilado em Paris, regressou a Portugal dias depois do 25 de Abril. [...] Ao ser confrontado com a nova conjuntura portuguesa, Cília, em vez de aproveitar, decidiu demarcar-se. "Cheguei a 29 de Abril e, perante o sectarismo que se começou a criar, dei uma entrevista em que dizia que considerava o Alfredo Marceneiro um cantor revolucionário. É uma coisa que mantenho, mas que na altura até disse como uma forma de provocação contra aqueles tipos que achavam que o fado era fascista. De resto, um povo que durante 48 anos não tinha tido acesso a um determinado tipo de música e que a seguir ao 25 de Abril apanhou com doses industriais de uma reles música a que chamavam revolucionária onde 'pão' rimava com 'patrão'... Depois havia uma inflação de 'revolucionários'. Este disco foi então a minha reacção, como também o foi ter dado a mim mesmo como meta, durante um ano, não cantar em Lisboa. Porque era em Lisboa que se dava o folclore todo. Daí eu ter arranjado, desde essa altura, alguns inimigos. Resolvi fazer este disco, que era em tudo contrário à corrente. Decidi fazer um disco cultural, embora também tivesse a sua intervenção. [...] Conheci o doutor Coimbra Martins, director da biblioteca da Fundação Gulbenkian em Paris. Ele deu-me todas as facilidades para ir à biblioteca regularmente recolher música antiga e consultar todos os cancioneiros que lá havia." [...] Para gravar o seu disco de 74, Cília optou por voltar a Paris, tendo por única companhia José Niza, enviado pela Orfeu como produtor executivo. A razão era simples: estavam na capital francesa os companheiros musicais de que o cantor português precisava para concretizar o seu projecto. "Eu conhecia o Bernard Pierrot que era um guitarrista clássico, que tinha sido aluno do meu professor de composição, Michel Puig. O Bernard tinha um grupo de música antiga e pedi-lhe para fazer as orquestrações das canções que eu recolhera. Aliás, limitei-me a fazer a recolha e a cantar. Talvez tenha sido o único disco meu em que não assumi a direcção artística. [...] A canção que dá título a este disco ["O Guerrilheiro"] é uma canção alentejana feita na guerrilha do séc. XIX. Depois até a Intersindical pegou nessa música para fazer o seu hino com outra letra." [...] Se "O Guerrilheiro" saiu depois das recolhas e das antologias de Giacometti e Lopes Graça não é menos verdade que foi lançado antes da sua reelaboração por formações como Almanaque, Brigada Victor Jara, GAC, Raízes ou Vai de Roda. Mas em contraste com estes, Luís Cília não era, em 1974, um cantor urbano de regresso às raízes, como a uma fonte purificadora de autenticidade social e estética. Cília era um cantor de baladas com veleidades culturais, que nessa medida se quis fazer acompanhar no mergulho histórico de um grupo de música antiga dirigido pelo académico Bernard Pierrot. Nesta conjunção singular entre o presente e o passado, o seu gesto também poderá ser considerado pioneiro. [...] É também [um trabalho] animado por intuições, ideias e um tipo de ousadia cultural e estética que é a essência da música portuguesa mais criativa de sempre.» (Luís Maio, in "Os Melhores Álbuns da Música Popular Portuguesa", Público/FNAC, 1998)"

Os sons de excertos das canções ou canções na integra, são provenientes das bobines originais da gravação do disco "Cancioneiro" (ADD).